... atravessou pensando no passado, tinha acabado de ler alguma coisa sobre não se prender no que passou, mas não conseguia, as vezes, tinha a impressão que em noites de céu estralado o passado era mais presente. Pensou que seria bom repartir a beleza do céu aquela noite, como fizeram todos os dias que se encontraram, mas já não era possível, olhou pra frente, tirou sua atenção do céu e se concentrou no caminho.
Andou o suficiente pra avistar que do outro lado vinha o seu pensamento anterior, vinha quem ela queria dividir o céu, vinha o dono do sua saudade; Não sabe ao certo o que sentiu, nem sabe se sentiu algo, por um segundo não houve mais chão embaixo de seus pés, não houve mais estrelas no seu céu.
Por tantas vezes ela viu aquela mesma imagem, caminhando em sua direção, o cabelo dele parecia ter crescido o dobro de vezes, os cachos tinham cachos, era até engraçado de ver, não obedeciam uma ordem certa, eram dispersos como se fossem solitários; a barba era quase invisivel, poucas vezes ocorria isso... em sua maioria sempre grande, juntava-se com o cabelo, formando quase que uma coisa só; Andava de forma engraçada, como quem briga com a gravidade, como quem não queria se deslocar, mas anda por ter que andar; logo se vê que quando avista ao longe a dona do céu também se anima, e abre de lado o sorriso mais lindo, que chega a ser doce e enche os olhos de brilho, como se ao longe viesse a esperança...
por um segundo se cruzam, passam do lado, quase se trombam, um sorriso de lado, um sorriso aberto..
- oi
- oi
e seguem seus destinos opostos..
...são dois caminhos contrários, mas fazem parte da mesma estrada.
Nenhum comentário:
Postar um comentário